. . . doutrina . . o que você aprende nos bancos da escola . às vezes valem nada na vida aqui fora . o que você aprende nos bancos da igreja . você dobra os joelhos e faz a penitência . o que você aprende lá com a sua família . respeito e honestidade, mas só durante o dia . o que você aprende? para quem você trabalha? . metade pras despesas, e o resto para cachaça . . a.l.s. . . . . embriagado . . copos e garrafas vazias jogados sobre a mesa . as luzes brilhando com grande intensidade . uma canção na jukebox. ela me chama para dançar . tudo gira ao meu redor. vejo quatro de você . seu perfume tão barato está me fazendo vomitar . embriagado... . não consigo mais falar, não posso nem ouvir . vinho, whisky, conhaque... em grandes doses para dormir . fraco, mãos trêmulas,náusea, convulsão . chega! quero parar. mas não posso evitar . mais uma dose, outra garrafa, vem, vamos lá! . . neih . . . . garota amedrontada . . nas ruas. nos parques; notícias, da sua sombra . percorre a madrugada; e morre na beira da calçada . ela procura. ela não acha, ela encontra, no fundo da garrafa . respostas! problemas! . em cima de espelhos; em xepas perversas . em cima de pias; em xepas perversas . em cima de mesas; em xepas perversas . em cima de pias; em xepas perversas . . a.l.s. . . . . incontrolável . . às vezes tenho que sorrir . dizer pelo menos obrigado . “um sorriso amarelado” . fecho os olhos pra não ver . pessoas falsas do meu lado . “tudo está errado!” . tenho vontade de matar . passar por cima com meu carro . “descontrolado” . mas eu não sou assim, um cara tão revoltado . é você quem me faz sentir um ódio incontrolável . . a.l.s. . . . . levanta curitiba . . no centro dessa cidade, nas esquinas do subúrbio . todos eles se escondem, no garrão do teu coturno . levanta curitiba! explode que eu quero ver . segura tua bandeira. e luta pra vencer! . todos batem na tua porta e você sempre atendeu . trata bem os visitantes que levam tudo que é teu . . a.l.s. . . . . mensagem radiofônica . . na tua parede ainda está o mesmo quadro . sempre igual, mas você está mudado . você me entende, mas fica perguntando . o que eu faço, que roupa estou usando... . todo dia. toda hora. é o tempo, que demora . você bebe porcaria. você olha para a vida . me ama. me odeia. me atira. esfaqueia . mentiras. teu jeito. verdades. eu aceito . olhos piscam no escuro, eu queria ser você . para fazer o que eu quero, contra mim. contra ninguém . você parece não estar interessado . naquela proposta que te deixa interessado . você tenta me enganar, mas está muito ocupado . achando outro para ser o seu escravo... . . a.l.s. . . . . não, não . . famílias: sofrendo com a fome . nas ruas: milhares que morrem . empregos: faltando para todos . crianças: com armas de fogo . não, não não, eu não agüento mais! . não, não! eu não agüento mais! . o governo: só te explorando . os impostos: estão aumentando . a polícia: só te espancando . a cidade: só te ferrando . . f.a.b. . . . . normal . . pára com essa história de ser pessoa normal . pois estou caindo fora com a maior cara de pau . subindo a montanha vou na casa do horror . não me espere para jantar, o meu relógio já quebrou . normal! a noite é um problema do dia! . eu vi a porta aberta. não fiquei impressionado . o calor foi aumentando. fumaça para todo lado . fui entrando, fui entrando, para ver o que é que tinha . uma multidão chorava com a presença da polícia . . a.l.s. . . . . território de ninguém . . território de ninguém. vida longa aos desgraçados . eles nunca são culpados, mas a culpa é de quem? . estamos esperando, o tempo se esgotar . paredes derrubadas e covas pra chorar . território de ninguém. você sabe o que fez . olho e não vejo além. todos pagam aqui também . . a.l.s. . . . . zona brasil . . o sistema promove a prostituição . uns se vendem à vista, outros à prestação . o mundo se virando, e “eles” metendo a mão . pau no cu do povo, na luta pelo pão . vida dura e desgraçada. nas filas da ilusão . gente morre doente; não ganha nem caixão . a constituição é uma grande mentira . não garante nada! só merda na latrina . . paulo matos . . (autocontrole - são josé dos pinhais, pr)